IMAGENS QUE ILUSTRAM A VIDA

 

O Cura d'Ars

 

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João Maria volta logo para Ecully na casa do Senhor Balley. Agora ele mora com o cura, fazendo a função de jardineiro durante as recreações, de sacristão e de criança no coral da igreja. O trabalho avança e, em 28 de maio de 1811, João Maria recebe a tonsura. Ele passa pela primeira etapa diante do sacerdócio. Impossível descrever a alegria de todos, sobretudo aquela do padre Balley, que tinha acreditado nele apesar de todos os obstáculos.

Do céu, a mamãe Vianney deveria, ela também, participar da felicidade do seu querido filho.

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No ano seguinte, João Maria parte para o pequeno seminário de Verrières, perto de Montbrison. Lá, tem um professor mais jovem que ele, colegas que riem quando ele não compreende.

- Em Verrières eu sofri um pouco. – dirá ele mais tarde.

Mas ele encontra um colega, Marcelino Champagnat, que como ele tem também dificuldade para aprender.

Mais velhos que os outros alunos, eles se simpatizam rapidamente e se tornam grandes amigos.

 

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Eles vão todos os dois em outubro de 1813 para o seminário São Irineu. Os cursos lá são feitos em latim, dá para imaginar as dificuldades do pobre rapaz. Ao final de cinco meses, lhe dizem que não podem mantê-lo lá. Que sofrimento para João Maria! O que fazer? Ele pensa por um momento se tornar irmão das Escolas Cristãs, mas o padre Balley que veio vê-lo em Ecully lhe pede para tentar uma última vez antes de desistir de ser padre.

 

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O cura de Ecully e o seminarista se colocam ao trabalho. O padre Balley lhe consagra grande parte de seu tempo e ousa apresentá-lo nos exames para as ordens menores. Mas, diante dos examinadores, João Maria perde a cabeça e responde tudo errado, os deixando perplexos sobre a decisão a ser tomada. O cura insiste, obtém o favor de um novo exame; dessa vez, ficam muito satisfeitos com as respostas do candidato. Consultado, o vigário geral pergunta:

- Ele é piedoso?

- Um modelo!

- Bem! Eu o chamo, a graça de Deus fará o resto.

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Em 2 de julho de 1814, João Maria recebe as ordens menores e o subdiaconato; ele passa o último ano de seu seminário perto do seu querido cura em Ecully, se torna diácono em 23 de junho de 1815 e, em 9 de agosto do mesmo ano, ele se coloca à caminho de Grenobre onde, em 13 de agosto ele será enfim ordenado padre. Ele estava sozinho quando recebeu o sacerdócio.

 

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Eis enfim, com vinte e nove anos, ao final de um longo caminho, apesar de todos os obstáculos vindo dele, de seu pai, das circunstâncias da guerra, João Maria se tornou padre graças à sua mãe, graças ao cura de Ecully, e sobretudo graças à Deus que o sustentou, ajudou, guiou apesar de tudo.

No dia seguinte, o pequeno pastor de Chantemerle subiu pela primeira vez o altar e ofereceu à Jesus toda a sua vida ao serviço do Pai.

 

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Depois de celebrar a missa em Grenoble, ele retorna logo à Dardilly onde seu grande amigo lhe conta uma novidade: ele foi nomeado padre em Ecully. Muito rapidamente, o padre Vianney recebe a responsabilidade da confissão, e o primeiro que se ajoelha diante dele é o seu cura. Todos os dois vão viver juntos na oração e na doação de si mesmos. O jovem padre não tem nada para si. Tudo é distribuído aos pobres até as vestes novas que lhe ofereceram e que ele deu por sua vez aos miseráveis.

 

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É em Ecully que ele vê pela primeira vez quem vai fundar a obra de Propagação da Fé: Paulina Jaricot. O encontro ocorre em um salão com ricas cortinas e poltronas de seda, onde o “amigo dos pobres” não se sente muito bem. Mas assim que ele viu Pauline, modestamente vestida, sua atitude muda. O olhar sério da jovem e seu sorriso bondoso lhe fazem compreender que ele se encontra diante de uma boa alma, pronta a se consagrar à obra de Deus. Uma simpatia profunda jorra dessas duas almas.

 

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O cura de Ecully não demora a ficar doente. Uma úlcera na perna leva a uma decomposição lenta do sangue. A gangrena aparece. O Cura se confessa uma última vez à João Maria, recebe dele o viático, a extrema unção, lhe dá os últimos conselhos, e morre na paz de Deus em 17 de dezembro de 1817.

 

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Em 4 de fevereiro do ano seguinte, o padre Vianney recebe a visita do vigário geral, Senhor Courbon.

- Senhor padre, você deixará Ecully.

- Como quiser, Senhor Courbon.

- Sim, foi nomeado cura de Ars, em Dombes. A paróquia de Ars não é rica, Senhor padre. Lá não amam muito o bom Deus. Você terá dificuldades, mas os fará amar a Deus, não é?

 

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Nós nos encontramos no momento onde ele encontra o pequeno pastor, Antônio Givre, que lhe indica seu caminho. Logo, o novo cura de Ars encontra a cidade, “algumas casinhas dispersas ao redor de uma pobre pequena capela”. Ele se coloca de joelhos e, inspirado por Deus, murmura: “Essa paróquia não poderá conter todos aqueles que mais tarde virão”.

Eles entram na cidade; a primeira visita é pela igreja; depois, ajudado pela mãe Bibost, o padre descarrega a carroça e faz sua entrada no presbitério.

De agora em diante ele será para todo o mundo o cura d’Ars.

 

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Ars! É então uma pequena vila, à trinta quilômetros ao norte de Lion. Ela conta com umas sessenta famílias, a maioria morando em fazendas modestas sobre o terreno situado à margem do planalto de Dombes. Durante a Revolução, a igreja tinha servido de lugar para as reuniões revolucionárias. A fé diminuiu no país como um todo, mesmo ela restando bem viva em certas famílias.

 

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O cura se coloca rapidamente a trabalhar: ele começa retirando do presbitério as cadeiras, as poltronas, a cama com dossel e outros móveis que lá estavam, e os entrega à Senhorita de Garets que os tinha dado para decorar a casa.

- Mas o que vai sobrar para você, Senhor Cura?

- Não se preocupe comigo, eu trarei a minha mobilha.

E o cura entrou em casa, feliz por ter se desfeito de todas essas riquezas.

 

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Em 13 de fevereiro de 1818, ele se instalou oficialmente. Quase todos os paroquianos estão lá e observam curiosamente o novo pastor. Ele não tem grande aparência, seu padre, com seu andar desajeitado, seu tamanho pequeno, sua batina usada e seus grossos sapatos. Mas quando as pessoas o vêem no altar celebrando a missa com seriedade, fazendo gestos e orando com tanto fervor, eles dizem entre eles:

- Nós temos uma pobre paróquia, mas rica na presença de um santo cura.

 

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Desde suas primeiras visitas aos novos paroquianos, o padre Vianney descobriu que perto de belas almas, havia em Ars pessoas que estavam longe de viver como Deus o queria. A missa de domingo ficava deserta: alguns trabalhavam, os jovens estavam apaixonados pela dança, os bailes, e perdiam a direção para Deus; bebiam muito; enfim, não queriam saber muito para não terem que se esforçar para se melhorar e servir a Deus.

 

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O novo cura se coloca com coração à sua única tarefa: converter sua paróquia.

Mas como? Pela oração...

Enquanto a vila dorme ainda, o padre Vianney já está de pé, e do presbitério passa rapidamente para a igreja com uma lanterna na mão. Ele se coloca diante o altar, e, durante horas, ele suplica ao Senhor que tenha compaixão dos seus paroquianos.

Ao meio dia, ele caminha pelos campos, conversando com os camponeses e não parando de cantar a glória de Deus através das belezas da natureza.

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À prece, ele adiciona a penitência. Ele dá seu colchão aos pobres; logo ele dá sua cama também, e ele faz suas curtas horas de sono às vezes sobre um monte de sarmentos cobertos por uma palha, às vezes no celeiro, até mesmo no chão, com a cabeça apoiada em um pedaço de madeira.

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De manhã ele se contenta com um pedaço de pão... quando ele não esquece naturalmente de comer. Ao meio dia e à noite, uma ou duas batatas frias, às vezes uma terceira “pelo prazer”, diz Vianney! E para não perder tempo, ele faz cozinhar para a semana toda uma marmita de ferro que vemos ainda em Ars. Às vezes as batatas são substituídas por um ovo cozido na brasa ou por galetes de trigo preto que na região chamam de “mata-fome”.

 

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Um dia, sua irmã Margarida vem vê-lo. Enquanto o seu irmão está na igreja, ela lhe prepara os “mata-fome”. Eles se amavam tanto desde o tempo que viviam em Dardilly! Então ela cozinha dois pombos no espeto. Quando o cura retorna, ele vê os pombos:

- Coitados! – diz seriamente – Eu queria me livrar deles porque causavam danos aos vizinhos, mas não precisava cozinhá-los!

Ele se recusa a comê-los, e se contenta com um mata-fome.

 

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O padre Vianney retoma o embelezamento da sua pequena igreja. Por onde começar? Pelo altar, já que evidentemente é lá que se celebra a missa, centro da religião. O antigo altar de madeira é substituído por um novo, que o cura pagou ele mesmo, e que ele queria o mais bonito possível. O coração repleto de alegria, ele ajuda os obreiros a desenhá-lo, e fez uma viagem à Lion à pé para comprar duas cabeças de anjo que ele colocou em cada lado do tabernáculo.

 

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Depois do altar, o “trabalho do bom Deus”, como ele ama dizer com um bom sorriso. Ele toma todos os seus cuidados... ele vai um dia à Lion com Senhorita de Ars e visita as lojas para comprar um ornamento para a missa. Mas diante de todos aqueles que lhe apresentam ele diz:

- Não são suficientemente bonitos, nada é muito bonito para o bom Deus...

Se você for em Ars, verás todos os ornamentos que Vianney comprou para sua igreja e para os ofícios.

 

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Um campanário de tijolos substitui o antigo de madeira apodrecida; uma primeira capela é construída com o nome de Nossa Senhora, o piso da igreja é refeito, uma segunda capela é construída com o nome de São João Batista. É dentro desta, à esquerda, que se encontra o confessionário onde milhares de pessoas se ajoelhavam para reencontrar a paz e a fé. Pouco a pouco, a pequena igreja toda se transforma, tamanho é o amor do cura pela casa do bom Deus.

 

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Mas todas essas transformações não ocorrem sem  muitos problemas de dinheiro. Ars era pobre e tinha apenas poucos habitantes; os cristãos davam tudo o que podiam, a prefeitura também, mas isso não era o suficiente. O cura tinha abdicado de sua pequena remuneração e também usado sua parte na herança familiar, mas isso não era ainda suficiente. Um dia, ele dá 500 francos (muito dinheiro à época) ao carpinteiro. Ele não tinha mais nenhum centavo.

Uma mulher o abordou na rua:

- És o cura de Ars?

- Sim, senhora.

- Tome aqui 600 francos para vossas boas obras.

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O padre Vianney acha um auxiliar magnífico: o irmão da senhorita de Ars, o Visconde de Garets. De Paris, ele enviou bandeiras, vestes litúrgicas de seda e pano de ouro, relíquias, um tabernáculo coberto de ouro. Ele encomendou um toldo que o cura mesmo escolheu o tecido em Lion. O generoso doador faz também transformar a entrada da igreja, substituindo a escada em caracol por uma escadaria precedida por duas largas rampas.

Mas Deus o pedia isso?

 

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Quando levavam as caixas que o visconde de Garets enviava de Paris, o cura ficava todo feliz, ele ria e chorava ao mesmo tempo, chamava todo mundo:

- Venham ver, venham ver essas belas coisas. – dizia ele.

E quando os paroquianos estavam reunidos, abriam as caixas.

- Como é bonito, mas no Céu tudo é muito mais bonito. – fala padre Vianney.

 

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Como fazer que o bom Deus seja amado por todos os seus paroquianos? Tal é o problema que o nosso cura teve desde a sua chegada.

- Para amá-lo, é preciso que eles O conheçam. – diz ele.

E muitos não o conhecem! A Revolução passou por ali e os jovens frequentaram pouco o catecismo. Era preciso então começar por instruir as crianças.

Mas estas trabalhavam nos campos e deveriam cuidar dos animais a partir dos seis ou sete anos de idade. Ele mesmo não tinha feito isso antigamente?

 

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O padre Vianney não hesita. Como as crianças vão à escola no inverno, ele decidiu fazer o catecismo de manhã às seis horas. Mas muitos não sabem ler, então o cura fazia lições dos relatos tirados da história dos santos e do Evangelho. De tanto repetir, os pequenos acabaram por decorá-los. E quando eles não estão atentos, o padre os repete.

- Oh! Não era malvado, ele era tão doce. – contará mais tarde uma de suas crianças.

 

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O catecismo ocorre todos os dias, e as crianças de Ars acabam por se tornar as mais conhecedoras da região no Evangelho. Além disso, aos domingos, antes das missas, há um catecismo onde os mais velhos podem ir. De ano em ano, o número de alunos cresceu. O cura se senta em sua pequena cadeira e de lá fala de Deus para a multidão reunida a escutá-lo, e que vai até surrupiar seus escritos para ter uma lembrança dele.

- Nós precisamos viver de Deus. – dirá um dos seus fiéis ouvintes.

 

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O sermão do domingo tem um outro problema. Toda semana, o padre Vianney pensa no que vai dizer as pessoas que lá estarão. Ele se instala na sacristia, estuda alguns livros, vai orar diante do altar, volta para a sacristia, e ao final, se coloca a escrevinhar páginas e páginas... certos dias ele consagra sete horas fielmente, trabalhando bem antes da noite para escrever seu sermão.

 

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Fica a estudar e a recitar. Na noite de sábado para domingo, os que passam o ouvem repetir em voz alta o que ele dirá em algumas horas. Sua memória, que era tão rebelde diante do latim, permanece também defeituosa diante de dezenas de páginas escritas durante a semana. Quando ele não pode mais, se senta no chão, as costas apoiada no móvel, e dorme alguns instantes antes de começar o trabalho de memória.

 

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Apesar de todos os esforços, lhe acontece, quando ele está no púlpito, de se perder, de não mais achar as frases a serem ditas. Mas isso não o desencoraja. Ele ama falar do Céu, da bondade de Deus e dos esforços que todos devem fazer para se preparar para entrar um dia no céu. O cura acredita de tal forma que as vezes ele se coloca a falar mais alto:

- É que, quando eu prego, eu falo à surdos. Mas quando eu oro, eu falo com o bom Deus que não é surdo. – disse ele.

 

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Mas há obstáculos para que os habitantes de Ars possam verdadeiramente amar a Deus. Primeiramente os bares. Para cada duzentos habitantes, Ars conta quatro bares. No domingo as pessoas, depois de terem trabalho de manhã, se vestem com “roupa de domingo” e vão passar o resto do dia jogando e bebendo.

“O bar”, dizia o cura, “é o lugar onde os casamentos se arruínam, onde os ‘santos’ se alteram, onde as disputas começam e onde as mortes ocorrem”.

 

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Sem cessar, nos sermões, o padre Vianney fala sobre isso. Logo os bares ficam desertos. O dono de um bar vem um dia se queixar que está arruinado. O cura lhe dá dinheiro, e ele muda de trabalho. Ao final de alguns anos, os bares são fechados e substituídos por hotéis para os peregrinos. É assim que, graças aos esforços do cura, a miséria diminuiu nesse país, e as brigas de famílias acabaram.

 

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O padre Vianney vai contra também ao trabalho nos domingos.

- Esse dia, deve ser do bom Deus, é o seu dia para Ele, o dia do Senhor! – diz ele.

Quando ele fala sobre esse assunto, o cura fica com lágrimas nos olhos, pois ele sabe que a maioria dos seus paroquianos trabalhavam nos domingos. Depois das missas, ele ia frequentemente fazer uma caminhada pelo campo. Aqueles que o encontrava, ficavam muito constrangidos de serem pegos trabalhando no domingo.

 

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É assim que em um domingo, o cura vê vindo em sua direção um veículo cheio de feno, mas sem condutor! Este se escondeu atrás de sua charrete assim que avistou o padre. Somente o bom pastor conhece o seu rebanho, ele chama o homem pelo nome e lhe diz:

- Meu amigo, fostes pego ao me encontrar... mas o bom Deus está sempre contigo.

O homem para pouco a pouco de trabalhar aos domingos, e toda população fez o mesmo, de tal forma que os paroquianos de Ars puderam assim descansar e consagrar ainda mais o tempo à suas introspecções...

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Um outro hábito contra o qual o cura d’Ars luta com dedicação é o baile. Ele sabe o quanto os pecados se originam do baile. Ele sabe que aqueles que frequentam esses lugares com assiduidade são raramente capazes de generosidade. Também são intransigentes, e até duros, em determinados pontos. Um dia de festa, ele vai ao encontro do violinista:

- Quanto ganha para fazer os outros dançarem? – ele lhe pergunta.

E ele dá o valor conveniente e ainda a metade a mais... e os que dançam esperaram toda a noite pelos músicos que tinham retornado às suas casas.

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O cura não pode suportar o mínimo pecado:

- Isso faz tanto pesar a Deus. – diz ele, com tristeza no rosto.

Para evitar o pecado, é preciso destruir a causa.

Um dia, ele percebe que alguém entra no seu jardim através da cerca viva, e rouba os frutos das árvores plantadas aqui e ali. Roubam! É preciso impedir isso. Pouco importa, pensa o padre. E ele fez cortar todas as árvores do jardim. Decisão heroica, admirável, mesmo se ela não for imitada.

 

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Pouco a pouco Ars se transforma. As jovens se reúnem frequentemente para orar e se divertirem juntas. Os homens, na Confraria do Santo-Sacramento, se reúnem também. Alguns tinham fé que as perseguições da revolução só a tornariam mais sólida. Se bem que em 1823, dois terços da paróquia vai em peregrinação à Fourvière, de barco de Trévoux à Lion, e subindo à pé a coluna de Fourvière.

 

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Entre esses homens havia um, Luis Chaffangeon, o qual o cura adorava contar a história do catecismo.

Um dia que ele ia ao seu trabalho, ele entrou na igreja para fazer sua prece. Um vizinho, surpreso por não vê-lo no campo, passou pela igreja indo até a casa dele. Luis estava sempre lá.

- O que você faz lá? – lhe pergunta surpreso.

- Oh, eu penso nele e Ele pensa em mim. – responde Luis.

Outra vez ele disse: eu olho para ele e Ele me olha.

 

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O padre Vianney se sente extenuado, e pede a sua mudança ao bispo de Belley. Os habitantes de Ars ficam chocados. Eles vão então perder o seu cura. Logo, eles se entendem entre eles; uma delegação parte para Belley onde o bispo aceitou o pedido do padre Vianney e o nomeou em Fareins, uma grande paróquia vizinha, mais perto dos rios de Saône. Mas essa paróquia é muito dura, mais da metade dos habitantes são hereges. O cura deve estar muito mais fraco para um tal trabalho: ele recusa o posto. O bispo não insiste, conhecia bem Vianney. O padre Vianney fica em Ars.

 

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Impossível expressar a alegria dos habitantes que amam mais e mais o seu cura. Eles sabem bem que ele também os ama, sem exceção. Ele se interessa por suas vidas, se preocupa com sua saúde, falando dos trabalhos, das colheitas, contam seus sucessos, sofrendo com eles suas dificuldades, e lhes dando coragem pelo seu exemplo e palavras.

“Ele é o bom Pastor que conhece todas as suas ovelhas e as chama cada uma pelo nome.”

E isso é mais fácil do que ele viveu durante sua juventude.

 

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Entretanto o bem que ele faz não ocorre sem dificuldades. Alguns se rebelam contra o que ele diz, o caluniam, o cobrem de injúrias, vão até pregar cartazes com frases odiosas na porta o presbitério. Mas as pessoas sinceras o defendem, até mesmo os incrédulos.

Não vemos um dia um doutor de Trévoux, Senhor Thiebault, tomar publicamente a defesa do Cura em um Café onde um grupo de homens se diverte falando mal dele?

 

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Essas mentiras são feitas por um pequeno número de pessoas. A maioria dos paroquianos, ao contrário, encontram o caminho que conduz à Deus. Mais justiça, mais amor entre as famílias, eis o que se encontra em Ars. O hábito da oração se desenvolve nos lares, até o momento em que todas as noites haverá uma prece na igreja. Desde então, ao fim do dia de trabalho, homens e mulheres, jovens e idosos caminham até a igreja para orar junto ao Senhor.