IMAGENS QUE ILUSTRAM A VIDA

O Bem cresce

 

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Viajantes se apressam na estação de Lion Perrache. Muitos se dirigem para um escritório especial aberto permanentemente. Será para uma viagem turística? Não! O escritório emite bilhetes de ida e volta para Ars, e eles são válidos por oito dias pois é preciso 8 dias para poder se aproximar do cura, obter dele um conselho ou se colocar de joelhos para se confessar. Se torna logo necessário organizar os serviços especiais das diligências entre Lion, Trévoux, Villefranche e Ars.

 

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Os peregrinos embarcam de Lion à Trévoux sobre o rio Saône e fazem à pé os últimos quilômetros. Outros, vão à cavalo ou em veículo particular. Entre eles se encontram pessoas de todas as condições: do bispo até o mais simples cura do campo, os nobres vizinhos com as pessoas do povo, os crentes com os incrédulos, os sábios com os ignorantes, os menores com as pessoas do mundo...

E todos se apressam para se aproximar dele que teve tanta dificuldade de receber o sacerdócio porque não conseguia aprender o latim...

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Se alojam como podem, muitos dormem sob as estrelas; esperam pacientemente a sua vez. Não se via o próprio bispo do Cura tomar seu lugar entre os outros? Porém a confissão não dura muito tempo. Senhor Vianney ficava no confessionário até 14 e 15 horas por dia. Qual suplício ficar assim horas e horas no mesmo assento, os pés gelados pelo inverno, sufocado de calor no verão, escutando e tomando para si tantas misérias humanas!

 

 

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Porque essa multidão que chegava até 120 mil pessoas em um ano? Porque o cura d’Ars enxergava as almas.

Impossível ao pecador esconder o que quer que seja diante desse padre; se ele o fizesse, Vianney o lembrava logo dos pecados esquecidos.

Quando o penitente admite suas faltas, o cura lhe dá uma linha de conduta precisa para conseguir se corrigir e crescer diante de Deus.

- Não faça nada que não puder oferecer ao bom Deus. – diz ele frequentemente.

Se todos nós colocássemos em prática essa instrução...

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Ele adivinha, sem ter visto a pessoa, se ela está com pressa, seja porque ela veio de charrete, seja porque ela espera um longo tempo, seja que, por uma razão ou outro, é urgente que ela se confesse.

Um dia, uma mãe de 16 crianças não pôde achar espaço na Igreja, tanto que havia de pessoas. De repente, o cura sai do seu confessionário e vai buscá-la:

- Senhora, você está com pressa, venha rápido. – ele lhe diz.

 

 

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Uma jovem do Puy-de-Dôme, Luise Dortan, vem se consultar sobre sua vocação. Depois de três dias, ela espera sua vez, mas em vão: impossível se aproximar. O coração pesado, desesperada para chegar ao confessionário, ela decide ir embora, e não pode reter suas lágrimas. Mas eis que o cura sai da capela São João Batista, e lhe diz em alta voz:

- Você não foi paciente, minha criança, só tem três dias que estais aqui, e quer partir. São quinze dias que precisa ficar. Vai então pedir a santa Filomena, ela vos ensinará a sua vocação.

 

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Um dia, Senhor Vianney pergunta a um dos seus bons paroquianos, Senhor Oriol, que ajudava no serviço de ordem na igreja.

- Meu amigo, traga-me uma mulher que está ao fundo da igreja. Ela veste um lenço sobre os ombros.

Oriol atravessa a multidão, não acha a mulher e volta diante do cura.

- Corra rápido, ela passa agora atrás do orfanato. – diz ele.

O homem se apressa, encontra a mulher no local indicado e a traz toda feliz, já que ela retornava sem se confessar.

 

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Quantas pessoas foram convertidas, assim que estiveram ajoelhadas diante do santo padre?

Uma vez veio um curioso incrédulo, que ao ver a multidão tão fervorosa ficou furioso.

- Eu amaria mais que o cura infelizmente morresse...

Mas eis o padre Vianney. Ele passa o seu olhar pela igreja, observa o incrédulo, fixa nele longamente. Nosso homem se aproxima, se ajoelha, e se confessa, feliz, alma em paz.

 

 

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Um grupo de Lioneses vem em peregrinação à Ars. Todos são bons cristãos, exceto um velho que veio para “agradar a juventude”.

- Vá à igreja, eu vou fazer o jantar. – diz ele aos seus companheiros.

Depois, tomado de remorso repentino, ele adiciona:

- Ou talvez não, eu irei com vocês, não será muito longo.

No momento onde eles entram, o cura sai da sacristia e passa no coro. Ele se ajoelha, se vira, olha na direção da pia de água benta, e com o dedo faz um gesto para chamar alguém.

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- É você quem ele chama. – dizem ao velho estarrecido.

Timidamente, ele se aproxima, enquanto um dos seus companheiros, todo feliz, diz:

- Está feito, ele foi pego!

O cura lhe estende afetuosamente a mão.

- Há muito tempo que você não se confessa?

- Uns 30 anos!

- Reflita bem. Há 33 anos você esteve nesse lugar.

- Tem razão, Senhor Cura.

- Então, nós nos confessaremos agora, não é mesmo?

 

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Por volta de 1840, chega em Ars o pai Rochette, conduzindo o seu pequeno menino que está muito doente. Ele está acompanhado de sua mulher. Mas enquanto ela se confessa e comunga, ele não quer outra coisa: que seu pequeno seja curado. Há tanta dor ao ver a criança sofrer! Ele vem à igreja, mas não ultrapassa a pia de água benta. O cura o chama uma vez, duas vezes, ele não responde.

 

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Enfim, no terceiro chamado, o homem se aproximou e seguiu o padre atrás do altar.

- Pelo menos ele não irá me morder!

- Por nós dois, meu pai Rochette, coloque-se lá!

- Não quero muito...

- Isso não é nada... Verá...

E o padre o guia, começa por lhe contar certas faltas esquecidas há muito tempo. O outro só teve que continuar. No dia seguinte, o pai Rochette comungava ao lado de sua mulher, e todos os dois deixaram Ars com seu filho curado.

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Havia então em Lion um homem chamado Maissiat, professor da Escola de Artes e Trabalhos, livre pensador e ateu bem conhecido. Fazendo uma excursão em junho de 1841, ele reencontra um amigo que vai à Ars.

- Venha comigo, verás um padre que faz milagres.

- Milagres? Eu não acredito. – Responde Maissiat zombando.

Ele acompanha, entretanto, o seu amigo.

No dia seguinte, ele assiste curioso a missa do padre Vianney.

 

 

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A missa termina, o cura se dirige direto para ele, lhe coloca a mão sobre os ombros e lhe faz sinal para o seguir. Diante do confessionário, Maissiat se revolta:

- Ah! Para isso jamais!

O padre olha para ele com amor. O incrédulo se ajoelha, conta a sua vida, mas sem arrependimento.

- Meu amigo, venha novamente falar comigo amanhã. Esperando, vá diante do altar da santa Filomena. Diga à ela para pedir a sua conversão para Nosso Senhor.

O cura tinha bem visto que Maissiat não queria obter o perdão das faltas.

 

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O livre pensador se levanta e vai se colocar diante da estátua da santa, em uma atitude de desafiar. Surpresa! Ele começa a derramar lágrimas sem saber porque. Ele sai da igreja chorando. No dia seguinte, o sabido se encontra aos pés do cura:

- Meu pai, eu não acredito em nada...  me ajude !

Não mais excursões. Maissiat fica nove dias em Ars e parte para Lion tendo encontrado a fé.

Até o fim da sua vida, foi um dos melhores católicos de sua paróquia.

 

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Uma jovem, travessa, mas generosa, Luisa Martin, veio um dia em Ars. Ela tinha sonhado se tornar religiosa, mas seus pais tinham recusado. Depois de uma longa espera perto do confessionário, sua vez chegou justo no momento onde o cura saia para a missa. Ela lhe suplica:

- Você tem devoção?

- Oh! Não, meu Pai.

- Então coloca-se de joelhos e confesse-se.

Diante da multidão, Luisa se ajoelha, fala dos seus projetos perdidos.

- Sua vocação vem do Céu, vós sereis religiosa.

Luisa se levanta, radiante. Mais tarde, ela pode entrar para religião, seus pais não colocaram mais obstáculo.

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Pouco a pouco, os padres vinham em grande número à Ars, pedindo ao modesto cura dessa pequena paróquia a ajuda para melhor cumprir sua missão sacerdotal. A todos, o padre Vianney dava sábios conselhos.

- Desde os 20 anos, eu queria ser religioso. – lhe diz um dia um deles.

- Muito bem, esse pensamento é bom, ele vem de Deus. – responde o cura.

- Então eu posso deixar meu trabalho de professor para entrar em uma ordem religiosa?

- Não tão rápido, meu amigo. Fique no seu trabalho. Deus não pede para colocar agora em prática os seus desejos, mesmo que sejam tão bons.

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Sempre atormentado pelos mesmos desejos, o mesmo padre volta em Ars ao fim de três anos. Ele é agora professor em uma escola.

- Agora que eu não sou mais professor de seminário, o que me aconselha?

- A mesma coisa. – responde o Senhor Vianney com um bom sorriso.

E ele adiciona:

- Veja a mais bela obra que podemos fazer no mundo onde vivemos, é a educação cristã da juventude.

 

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Poderíamos citar muitas outras histórias de pessoas saindo de Ars com a alma em paz e fortalecidas na sua fé. O padre Vianney vai, durante trinta anos, ser fiel nessa missão difícil, superando a fadiga, o frio, a fome, recusando ter uma almofada em seu confessionário...

 

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Um dia, para ajudar na pesada tarefa, o bispo decide lhe dar um vigário, o padre Raymond. Apesar de tudo, os dias me são repletos.

Tentamos passar um dia em Ars no tempo de Vianney. Nós aqui chegamos perto do meio dia, a igreja está cheia, e ficará até o seu fechamento, tarde da noite. Todo mundo ora, ninguém quer partir para não perder a sua vez no confessionário.

 

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Meia noite... uma hora da manhã. O cura deixa o presbitério onde ele acabou de ficar algumas horas. Ele entra na igreja, abre a porta àqueles que esperam do lado de fora. Uma prece fervorosa diante o altar mestre, e eis o padre no confessionário.

Ele ficará até 6 ou 7 horas, sem parar, levando a paz do Senhor àqueles que têm feito às vezes centenas de quilômetros para vir se reconciliar com Deus.

 

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Depois o Senhor Vianney sai do confessionário, se ajoelha sobre as lajes do coro para se preparar silenciosamente para a missa, e sobe em seguida ao altar. Para ele, é o grande momento do dia : nada é mais bonito para celebrar : o mais belo cálice, os mais belos ornamentos, um altar magnificamente preparado, e uma multidão em prece em atitude de respeito e de fé... É preciso ver com qual fervor, com qual amor ele celebra !

 

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Depois da missa e alguns instantes de ação de graças, está de novo no confessionário até dez horas e meia. Depois, durante um momento, ele recita seu breviário antes de se instalar às onze horas na pequena cadeira de onde ele faz o catecismo. Durante uma hora, ele fala, passa de um assunto a outro, deixando transbordar de seu coração seu imenso amor à Deus. A igreja está sempre repleta, todo mundo escuta com uma grande atenção essas palavras que vão direto à alma.

 

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Pois as palavras do cura de Ars tocam os ouvintes como se cada um se sentissem visado diretamente. Um médico de Lion veio um dia com um grupo de parentes e amigos. Nas primeiras palavras do catecismo, ele explode de rir e, para não ser percebido, ele coloca a cabeça entre as mãos. Pouco a pouco, mais riso, as palavras do padre penetram nele, logo, grossas lágrimas rolam de seus olhos, o doutor acaba de ser clareado pelo amor de Deus...

 

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Ao meio dia, depois de ter recitado o Angelus, ajoelhado diante o altar, Senhor Vianney vai ao presbitério para lá tomar a sua refeição. Mas lhe resta menos de quinze minutos para percorrer alguns metros que separam o presbitério e a igreja. Todos os dias, a multidão se apressa para ir à esse local: doentes ou enfermos, crianças ou idosos que não podem entrar na igreja e lá ficam longo tempo, ou ainda visitantes que não desejam se confessar. Senhor Vianney diz uma boa palavra à um, sorri para outro, e abençoa as crianças.

 

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Certos dias, há tanta gente que ele não pode passar. Então, ele usa uma estratégia maravilhosa: ele pega um punhado de medalhas e lança ao vento. Enquanto as pessoas se precipitam para pegá-las, ele passa para o presbitério, tranca sua porta, não aceitando ninguém para lhe fazer companhia durante a sua refeição. É fácil compreender essa medida quando se sabe do que ele se alimenta. Sua refeição é variada: algumas batatas cozinhas uma vez para toda a semana, ou alguns mata-fome.

 

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Uma tal refeição não lhe dá muito tempo.

“Entre meio-dia e uma hora, eu como, varro meu quarto, faço minha barba, durmo e visito um doente.” - detalhe ele.

Todos os dias, com efeito, após sua refeição, o cura visita os órfãos da Providência e os doentes: aqueles da paróquia como aqueles que vieram de longe em peregrinação. Uma multidão de pessoas o acompanha, ávidos por receber seus conselhos para transformar sua vida ou encontrar um pouco de esperança nas suas provas.

 

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Senhor Vianney volta então à igreja onde ele confessa mulheres até por volta das cinco horas, depois os homens até as sete horas e meia ou 8 horas. Ele sobre em seguida para o púlpito para fazer a oração da noite, e entra enfim em seu presbitério onde ele se retira até quase meia noite ou uma hora.

 

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O padre Vianney teve a tentação de se retirar em solicitude para passar seus dias orando à Deus. Uma primeira vez em 1840, ele escreve ao bispo de Belley para lhe pedir autorização, depois apreciando uma noite escura, ele deixa o seu presbitério às duas horas da manhã. Mas chega à cruz de Combes, à alguma distância, ele para e reflete:

- O que eu faço aqui? Não é melhor ficar em Ars para converter almas?

 

 

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Três anos mais tarde, então era o mês de Maria, o cura cai do púlpito, esgotado pelo seu trabalho fatigante. Se apressam, o levam para o quarto vizinho ao seu, o instalam sobre uma rica cama. Todos os paroquianos e os peregrinos são tomados de surpresa, afligidos de tristeza. Seu cura vai morrer? Um médico é chamado e convoca outros três para ter o seu parecer. Senhor Vianney, que guardou toda a sua lucidez, não pôde deixar de dizer:

- Eu sustento um grande combate.

- Contra quem? – com humor o médico responde.

- Contra quatro médicos. Se vierem cinquenta eu morrerei.

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Ao final de nove anos durante os quais ele fica entre a vida e a morte, o doente se sente de repente muito melhor, tanto que celebraram para ele uma missa em honra a santa Filomena. Então, ele pede de novo ao Monsenhor uma autorização para deixar Ars. Esperando a resposta, ele parte para Dardilly para a casa de seu irmão Francisco. Mas descobriram seu retiro; logo, Dardilly vê chegar uma multidão de peregrinos, João Maria retoma então o caminho ao confessionário. Lá chega a resposta do bispo que lhe deixa a escolha entre Ars e um posto de capelão.

 

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O padre Vianney hesita, mas após uma fervorosa prece, ele decide retornar à Ars.

Um veículo o transporta até 7 quilômetros da cidade. O resto do caminho, ele o faz à pé. Quando chega, um cajado na mão como um peregrino, os relógios tocam a vontade. Os paroquianos estão reunidos na praça, muitos em posição de trabalho.

Muito emocionado, o cura os abençoa:

- Eu não vos deixarei mais, minhas crianças... Eu não vos deixarei mais!

 

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Dez anos mais tarde, entretanto, a obstinação pelo silêncio e a prece no monastério é retomada. Uma noite, ele deixa o presbitério, acompanhado por Catarina Lassagne e Maria Filliat que deve o guiar até a passarela do riacho. Mas o povo fica sabendo, o sino toca, a multidão se reúne e o segue suplicando que fique. Chegam à passarela.

O padre Toccanier, um padre o qual o bispo de Belley tinha colocado para auxiliar Vianney, carrega o breviário do cura. E este para, hesita, depois diz:

- Eu tenho outro breviário no meu quarto.

- Voltemos para pagar.

 

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Todo mundo volta para Ars. Durante o trajeto, as súplicas dos paroquianos redobram. Logo eles se misturam com aquelas dos peregrinos que, na passagem do cura, se precipitam, se ajoelham :

- Meu Pai, antes de partir, me confesse !

O padre Toccanier insiste :

- Senhor cura, você não pode deixar sem confissão essas pessoas vindas de tão longe »

Então de repente o Senhor Vianney decide : ele entra na igreja, pega seu casaco, se dirige para seu confessionário.

Dessa vez, ele não procurará mais ir embora.