IMAGENS QUE ILUSTRAM A VIDA

 

Sua juventude

 

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Sabiamente, sua mãe lhe pede para velar menos e dormir mais cedo. João Maria obedece, mas isso não o impede de refletir. Mais e mais forte ele sente crescer dentro dele o desejo de ser padre, ele ouve o “segue-Me” dito por Jesus. Ele pensa nas numerosas paróquias sem padre, depois da tormenta da Revolução, ele lembra das missas noturnas nas fazendas, a miséria das pessoas que não têm ninguém a quem pedir conselho, ele se lembra da sua primeira comunhão; sim, ele quer ser padre, ele será padre.

 

 

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Mas, como fazer? Ele tem dezessete anos, não sabe uma palavra em latim, e seus estudos foram muito pouco desenvolvidos... E sua mãe? E seu pai?

João Maria fala primeiro à sua mãe. Ela chora de alegria e envolve seu filho em seus braços. Mas o pai fica inflexível. Nem os motivos dados pelo jovem, nem as súplicas de sua mãe fazem efeito sobre sua decisão. Tiveram muitas despesas na fazenda recentemente, há a necessidade de braços sólidos de um jovem. E além disso, como fazer para instruí-lo?

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Essa prova dura por volta de dois anos. João Maria se cala dolorosamente, continua seu trabalho com o mesmo bom sentimento, mas não muda de ideia.

Exatamente nesse momento, padre Balley, cura de Ecully, abre no seu presbitério uma escola para formar futuros padres. João Maria retoma as esperanças, sua mãe também, e todos os dois voltam a falar com o pai que, dessa vez, não ousa recusar.

- Já que João Maria ainda quer, não é necessário contrariá-lo mais. – diz  o pai.

 

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Sua mãe Maria Vianney e sua irmã Margarita, vão à Ecully encontrar com o padre Balley. A mãe lhe conta a juventude de João Maria e como ele teve a ideia de ser padre. Balley recusa inicialmente: sua escola está cheia, ele está com muito trabalho... mas elas insistem, lhe suplicam. O cura aceita e João Maria vem com sua mãe.

O padre o observa durante certo tempo, o interroga, e enfim o abraça dizendo:

- Fique tranquilo, meu amigo, eu me sacrificarei por você se for preciso.

 

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Joã João Maria parte então para Ecully e se hospeda novamente no "Ponto do dia", na casa de sua tia. Ele se contenta com uma sopa ao meio-dia e à noite. O seu amor por Deus e pelos pobres crescia, mas o estudo lhe era difícil. Fazia muito tempo que ele tinha deixado a escola, e sua memória estava enferrujada. O latim lhe era muito difícil. Ele estuda o latim obstinadamente a noite, e no dia seguinte pela manhã tudo havia evaporado de sua mente.

 

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Alguns de seus colegas o ajudam ao máximo, sobretudo um jovem chamado Mathias Loras. Mas Mathias fica nervoso. Um dia, aborrecido ao ver que João Maria não consegue compreender apesar de suas repetidas explicações, ele lhe dá um tapa na frente de outros alunos. João Maria se coloca humildemente de joelhos diante dele e lhe pede perdão; e Mathias, arrependido de seu gesto, cai nos braços de seu colega. Nunca este colega esquecerá esse gesto e a amizade que cultivaram.

 

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Mas o latim não entra na cabeça dele. O desânimo também envolve o jovem. Ele relembra em pensamentos os seus campos, sua casa, seus trabalhos na fazenda:

- Como é mais fácil...

E ele vai encontrar o cura para lhe dizer:

- Eu vou voltar para casa.

Senhor Balley o acolhe com carinho, o encoraja a se manter no bom caminho. João Maria retoma seus estudos, mas decide fazer a peregrinação à Louvesc, ao túmulo do santo João Francisco Regis para pedir ao santo uma ajuda para seus estudos.

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De Ecully à Louvesc é uma centena de quilômetros. O terço em uma mão, o cajado em outra, João Maria parte, pedindo pão, sendo mal acolhido nas fazendas do caminho. Comendo ervas, bebendo água das fontes, dormindo sob as estrelas, ele chega em Louvesc, se ajoelha diante do túmulo do santo, lhe suplicando que concedesse a graça de saber o suficiente latim para fazer teologia.

Desde então, ele fez muito progresso ao ponto de não mais desanimar, e os livros não tinham mais um sabor desagradável.

 

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Em 1807, João Maria recebe, em Ecully mesmo, o sacramento da confirmação das mãos do cardeal-arcebispo de Lion. Ele escolhe como patrono são João Batista, o precursor do Cristo; esse patrono será, durante toda a sua vida, um dos seus santos preferidos. João Maria quer ser, como João Batista, humilde servidor que prepara as almas para reencontrar e acolher Deus em suas vidas... Ele assinará então João Maria Batista Vianney.

 

 

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Um outro obstáculo vai surgir de imprevisto no caminho ao sacerdócio. Em 1809, João Maria recebe sua convocação para o exército. Napoleão guerrilhava com a Espanha e a Áustria. Ele precisava de homens! Certamente, os futuros padres eram dispensados do serviço militar na diocese de Lion, e João Maria foi convocado erradamente. Mas nada poderia ser feito, ele deveria partir e deixar todos seus estudos! Ele fica doente, faz uma curta estadia no hospital antes de se dirigir para o centro de Roanne, e de lá partir para Espanha.

 

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Ele fica doente novamente. Mas estando convalescente, ele fica sabendo que precisa partir no dia seguinte. Antes de ir pegar a sua convocação, ele entra na igreja para confiar a Deus todos os seus problemas. Ele perde a hora e encontra fechada a porta do escritório de recrutamento. No dia seguinte, ele coloca a bolsa nas costas e vai sozinho pela estrada para tentar encontrar a última guarda. Mas logo ele para, muito cansado; ajudado por um homem, ele vai passar a noite em um vilarejo des Noës. O administrador do vilarejo o convence a ficar; como poderia ele encontrar o seu contingente?

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Ele fica por volta de um ano nesse vilarejo na casa de Claudine Fayot, mulher generosa, trabalhadora, pronta a acolher os necessitados. Ele lá dá aula às crianças à noite, se mostrando pouco durante o dia, sempre procurando fazer serviços perto dali.

Como sente a falta de atividades, ele conseguiu que trouxessem seus livros de estudos, pois ele não perdeu de vista a preparação para o sacerdócio. Enfim, em 1810, lhe chega a notícia de que ele pode voltar: o Imperador, por causa do casamento com Maria Louise, tinha publicado um decreto de larga anistia.

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A mais nova das crianças Vianney, Francisco, o caçula, vai substituir o seu irmão no exército. João Maria deixa assim os Noës, todo mundo chora na sua partida; lhe oferecem para seu enxoval de futuro padre uma batina que ele vai depois usar pelos campos.

Ele chega em Dardilly somente para ver sua mãe. Desgastada por tantas provas, ela desencarna algumas semanas depois, com 58 anos. João Maria não esquece jamais aquela que tinha formado nele a alma cristã e lhe tinha ensinado a generosidade que deveria conduzi-lo até o fim desta vida.