IMAGENS QUE ILUSTRAM A VIDA


A Providência

 

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Quando o padre Vianney chegou em Ars, não havia escola no verdadeiro sentido da palavra. Logo ele colocou mão à obra. Duas jovens da região estavam preparadas para serem as instrutoras; Catarina Lassagne e Bendita Lardet. Uma casa perto da igreja foi escolhida, e, desde 1824, abriu-se a escola das meninas, as duas professoras não recebendo nem um soldo por seu trabalho. A escola deu certo e as meninas vieram de todas as comunidades vizinhas, ao ponto de precisarem transformar o sótão em dormitório.

 

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Mas há órfãos. O cura os encontrou em Ars e nos arredores, e, se sensibilizou com eles, ele decidiu fazer alguma coisa. Ele comprou um pedaço de terra anexo à escola, e se colocou a construir um local o qual ele deu o nome de A Providência.

Ele mesmo se dedica a esse trabalho: ele carrega pedras, transporta a argamassa ou a madeira da carpintaria, e seu exemplo movimenta os outros a imitá-lo, tanto que a Providência ficou pronta muito rápido.

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Os órfãos fluem rapidamente; logo, eles são mais de 60, desde bebês até jovens meninas. Um dia, o padre Vianney leva à Catarina Lassagne uma pequena menina encontrada na rua.

- Receba essa criança que o bom Deus nos enviou. – disse ele.

- Mas, senhor cura, não há mais camas...

- Vamos, há a sua.

E Catarina abre a Providência para essa recém-chegada, confiante em Deus e nesse padre que nada o faz parar.

 

 

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Alimentar todas essas crianças não é fácil, pois o orfanato é gratuito. O cura coloca todo o seu dinheiro, vende seus móveis, e estende a mão; mas não é suficiente. Um dia, não há quase farinha. Joana Maria Chanay, que faz o trabalho de padeira, vai encontrar o padre para lhe contar a sua tristeza.

- Ore, e faça o seu pão. – responde ele.

A medida que ela amassa a massa, ela cresce, até o momento em que o recipiente fica cheio”

- Deus é bem bom – diz simplesmente o cura.

 

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A Providência é, um dia, a testemunha de um outro milagre. Em 1829, ano onde a colheita tinha sido ruim, a provisão de trigo, guardada no celeiro do presbitério, está quase esgotada: restam apenas alguns grãos espalhados nos vãos do piso.

O que fazer? Reenviar os órfãos?

- Nunca, é preciso cuidar de todos. – diz o padre Vianney.

E ele fala para as crianças pedirem ao Senhor, o “pão de cada dia”.

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Ele mesmo pega uma vassoura, junta em um só monte os grãos que restavam e coloca no meio do monte uma estátua de João Francisco Régis. Depois, ele se coloca a orar e esperar.

 

Joana Maria, depois um tempo, foi pegar o trigo que estava no celeiro. A porta mal abria. Pelo vão da porta, via que o trigo começava a correr, um trigo que não tinha a mesma cor que o antigo.

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Rapidamente, Joana Maria desce para encontrar o padre Vianney.

- Senhor Cura, seu celeiro está cheio!

- Como está cheio?

- Sim, veja você mesmo.

Eles retornam juntos. Com efeito, o celeiro estava cheio, como nunca ele esteve no verão. O trigo cobre todo o chão, ao ponto de se perguntarem como as traves podres do piso não cederam com esse peso... Os órfãos podem ficar, eles terão pão para comer.

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Todos os dias, durante os longos anos, o padre Vianney visita a Providência. Ele come ao meio dia, leite e um pouco de sopa em uma vasilha de cerâmica. Depois ele passa um momento com as meninas no pátio, tendo o seu “recreio” com elas. Ele escuta suas conversas e lhes conta belas histórias, tiradas do Evangelho ou da Vida dos Santos. Ao mesmo tempo ele fortalece as jovens que aceitaram esse intenso trabalho no orfanato.

 

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As crianças aprendem a ler e a escrever, assim como tudo o que é necessário para uma mulher dessa época; elas fazem bordado, remendam roupas, tricotam, lavam, passam, algumas até começam a tecer com a roca. Quando elas deixam a Providência, elas estão em condições financeiras iguais aquela quando o Cura lhes encontrou, ele lhes fornece então um pequeno dote e uma parte do enxoval quando elas se casam.

 

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Ele não passa todo o tempo na Providência. Ele ama também visitar as famílias. Ele chega frequentemente de imprevisto ao meio dia enquanto as pessoas estão comento, se senta à mesa com eles, aceita uma maçã. E conversando fala sobre os trabalhos, as alegrias e as dores da casa, esclarecendo todas as coisas à luz de Deus e do Evangelho.

 

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Durante esse tempo, a vida mudava em Ars. Antes da chegada do Senhor Vianney, se amava trapacear sobre o peso e a qualidade das mercadorias, por exemplo vendendo como frescos os ovos que eram velhos. Pouco à pouco, a honestidade cresceu e nos mercados não se tolerava o mínimo roubo. Foi assim que o pequeno Bendito Trève, tendo roubado uma pêra de um vendedor, sua mãe o obriga a devolver a fruta e a pedir perdão com as mãos juntas atrás das costas.

 

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Os ofícios litúrgicos são objeto de todo o cuidado do Senhor Vianney. Há um bom grupo de crianças de coral que ele treina ele mesmo. Todas as semanas, eles se reúnem para preparar a missa do domingo; é um prazer vê-lo repetir, com orações, as cerimônias com as crianças. A missa é tão bem celebrada que o bispo ama citar Ars como exemplo aos padres, pela beleza de seus ofícios.

 

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Uma festa tem um brilho excepcional: a Festa de Deus. O Cura nela coloca todo o seu coração. Nada é mais belo: as ruas são cobertas de flores, bordadas de cartazes e delimitadas de arcos de triunfo. Até o fim da vida, é o padre Vianney que leva o ostensório. O ano que precedeu a sua morte, ele o levou durante duas horas até não aguentar o seu peso. Um dia, alguém lhe disse, voltando da procissão:

- Você deve estar muito cansado, Senhor Cura?

- Aquele que eu carrego me sustenta também. – respondeu ele.

 

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Os estrangeiros que passam por Ars não deixam essa cidade abençoada por Deus sem se lamentarem. As pessoas lá parecem tão felizes! Até os moribundos respiram alegria, tomando “vida”.

Uma singular proteção parece planar sobre aquela cidade. Senhorita de Ars se alegra ao dizer que nenhuma tempestade devastou a comunidade durante todo o ministério de Senhor Vianney. Ele orava para que seus paroquianos fossem protegidos dos flagelos da natureza!

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O cura pôde passar em paz os últimos meses de sua vida: a força de Deus venceu. Compreendemos que espíritos contrários procuraram de todas as formas acabar com as ações do Senhor Vianney pois a luz desse – que nós já chamávamos “o santo” – crescia, e as multidões começavam a fluir em Ars.