Um encontro luminoso

Na verdade, lá eles não eram infelizes porque mesmo se faltava o pão, eles gostavam de estar todos juntos. Toda noite, a família se reunia para orar. E frequentemente era Bernadete, como era a mais velha, que conduzia a oração. Todo domingo eles iam juntos à missa e aos momentos de canto de orações. E as crianças Soubirous viam seus pais se colocarem a orar na igreja.

Bernadete começa então, a frequentar a escola paroquial mantida pelas Irmãs de Nevers. Ela foi matriculada no Catecismo para a Primeira Comunhão, e todos se espantam por ela ter 14 anos, pois era do tamanho de uma menina de 10 anos.

Eis que dia 11 de fevereiro fazia frio, o fogo se apagou e não havia mais lenha em sua casa. Bernadete se levantou para ir pegar lenha na floresta. A mãe dela hesita, pois sabe que Bernadette é tão frágil, vive resfriada. “Mas eu saía quando morava em Bartrès”, disse Bernadete. Então, a mãe cuidadosa colocou nela uma manta de lã branca como capuz, para protegê-la um pouco do frio.

Uma menina vizinha, Joana Abadie, estava lá e vai junto com Bernadette e Toinette Soubirous. As três amigas partiram alegremente. Elas saem do vilarejo (que era bem menor do que hoje) e se dirigem para o Rochedo de Massabielle, por um caminho tortuoso, onde lhes disseram que elas encontrariam lenha. Elas chegaram num lugar onde o canal e o riacho eram separados por um estreito banco de areia e de pedras. “Vamos por essas pedras e ver onde acaba esse canal”, disse Bernadete.

E chegaram diante da gruta, onde avistaram de longe pequenos galhos que foram carregados e depositados pela corrente do riacho. Elas tinham que atravessar o canal para pegá-los, por isso, Toinette e Joana tiram seus tamancos e meias. “Eu não vou pisar na água, resfriada como estou”, declara Bernadete, e ela pede às amigas que coloquem algumas pedras na água para ela passar sem se molhar.

Mas as meninas dizem sem se preocupar com ela: “Faça como a gente, se quiser”, e se afastam. Bernadete hesita, procurando passar pela parte menos profunda, depois volta para a gruta e decide ficar descalça também. Ela escuta algo como um sopro de vento. Impressionada, ela olha para as árvores da planície e vê que não se balançavam. Então, ela continua a tirar os sapatos.

Um novo barulho acontece e quando ela levanta a cabeça e se vira para a gruta, vê uma senhora de branco. Pensando estar sonhando, esfrega os olhos, mas a senhora continua lá. Apressadamente, a jovem pega seu terço no bolso, tenta fazer o sinal da cruz, e para seu espanto, ela não consegue levar sua mão à testa. A aparição, que também tinha um terço no braço, o pega em sua mão e faz o sinal da cruz, então Bernadete tenta de novo fazê-lo.

E dessa vez Bernadette não teve nenhuma dificuldade, a “paralisia” que havia lhe dominado desaparece. Então, ela se ajoelha e reza o terço diante da senhora. Depois do terço, a bela senhora faz sinal para que ela se aproxime, mas Bernadete não se aproximou, e a visão desaparece. Em seguida, Bernadete continuou a tirar os sapatos para atravessar a água e se reunir com as suas amigas.

Que tal conhecer mais uma vida luminosa?

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