Catarina de Siena

Catarina desde pequena tinha um natural olhar para dentro de si mesma. Em tudo ela se analisava, mas não com o intuito de se melhorar e sim buscando agradar a Deus cada vez mais. Por isso em suas orações ela pedia a ajuda de Maria de Nazaré para ter a luz e forças necessárias para seguir a vontade de Deus, e consequentemente um espírito elevado começou a ensiná-la e orientá-la nessa busca interior.

Foi com o seu olhar interior e a sua busca por agradar a Deus que ela sentiu que o casamento não era o seu caminho nessa vida e não aceitou cuidar de sua beleza como sua mãe queria para conseguir um marido. Somente com as insistências de sua irmã, Catarina acabou aceitando cuidar de sua beleza. Mas com seu olhar interior constante logo ela percebeu que o envolvimento em suas orações diminuiu e parou de se embelezar.

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Raimundo de Cápua, seu confessor e biógrafo, não entendeu muito bem essa autoanálise de Catarina, pois que não há problema em se cuidar de sua beleza, problema há quando esse cuidado tem como móvel o chamar a atenção para si ou querer ser melhor que os outros e ele sabia que Catarina não tinha esses sentimentos orgulhosos. Por isso ele resolveu perguntá-la sobre essa época de sua juventude e ela lhe respondeu que seu erro nesse momento foi buscar agradar mais a sua irmã do que a Deus.

Com o passar do tempo Catarina fez amizades, mulheres e homens passaram a acompanhá-la no bem que ela fazia. E eles contam que ela estava sempre os ajudando a se doarem e servirem o próximo com esse olhar para dentro de si mesmos, buscando retirar os interesses próprios e seus defeitos. Era tão profundo esse olhar para dentro de Catarina que eles não conseguiram entender totalmente os ensinamentos que recebiam no dia a dia com ela, só depois que ela desencarnou é que começaram a compreender melhor o que ela lhes dizia ou apenas lhes conduzia com sua presença.

E não eram somente os amigos que se beneficiavam com esse olhar interior de Catarina, até aqueles que a encontravam pontualmente com ela, mesmo sendo pessoas contrárias à ela, se sentiam convidados a olharem para dentro de si mesmos...

Isso aconteceu com um religioso da ordem dos Irmãos menores que se achava muito conhecedor do Evangelho. Ele ficou sabendo que as pessoas estavam gostando da forma que Catarina explicava os ensinamentos de Jesus e começou a criticá-la sem nem mesmo conhecê-la. Um dia ele resolveu encontrá-la para ouvir Catarina falar do Evangelho e apontar algum erro em suas palavras. Catarina o recebeu em seu quartinho e sentou-se no chão para escutá-lo, dizendo que certamente Jesus o enviou para ensiná-la. O homem tentou de todas as formas fazer com que Catarina falasse, até que ficou tarde e ele foi embora. Mas antes de ir, Catarina pediu que ele orasse por ela e ele respondeu que iria orar sim.

No dia seguinte o homem começou a chorar sem entender o porquê e passou o dia todo em lágrimas. À noite, vencido pelo cansaço, ele adormeceu, mas ainda de madrugada acordou chorando. Então ele começou a se analisar, buscando encontrar algo que tenha feito de errado, e nesse momento uma "voz interior" lhe disse: "esqueceu que ontem você julgou Catarina com seu orgulho e que falou que oraria por ela mas foi só por formalidade?".

Assim que terminou essa autoanálise as suas lágrimas pararam e ele sentiu muita vontade de reencontrar Catarina. Logo que o sol nasceu já estava ele no quarto de Catarina, mas agora a cena era outra, ele se ajoelhou aos seus pés. De imediato Catarina pediu para ele se levantar e começaram a conversar. Ele foi sentindo tanta vontade de reconstruir a sua alma que resolveu perguntar qual caminho para se elevar. E Catarina respondeu falando do caminho apagado que Jesus deixou para nós: o caminho da humildade.

Depois desse momento, esse irmão menor que se achava o maior e vivia ensinando o Evangelho, vendeu seu dinheiro, móveis inúteis, livros e passou a buscar o Evangelho não mais nas formalidades, mas sim à luz da humildade.

Se Catarina só com a presença dela conduz alguém tão contrário e cego em seus orgulhos a olhar para dentro de si mesmo dessa forma tão profunda, imaginamos o quanto ela pode ajudar aqueles que querem conhecer a si mesmos e reconstruir seu interior à luz da humildade?

Fontes Históricas

Século XIV

Fontes Catarinianas

Raimundo de Cápua

Livro escrito em Italiano pelo próprio confessor de Catarina de Siena,  traduzido para o francês e depois para o português.

Arquivo Pdf

Imagens que retratam a vida

A mãe de Catarina se surpreendia a cada dia, enquanto todos os seus filhos só pensavam em brincar, Catarina além das brincadeiras adorava orar. Contam que ela subia as escadas de sua casa orando, conversando com Marina de Nazaré que ela tanto amava.

Desde pequenina Catarina dizia que queria ser religiosa para viver fazendo o bem, mas sua família queria que ela se casasse e por isso chamaram um religioso para conversar com ela e convencê-la. O religioso percebeu o bom sentimento de Catarina e aconselhou cortar seus cabelos para que sua família pudesse entender que sua vontade era verdadeira e não era um sonho infantil.

A família de Catarina reagiu muito mal ao ver os cabelos dela cortados, e a colocaram como empregada da casa dizendo que só a deixariam livre se ela aceitasse se casar. Já Catarina reagiu muito bem, redobrou suas orações e foi orando que um dia seu pai se sensibilizou... Ele a libertou dessa pesada tarefa e permitiu que ela usasse todos os recursos da casa para ajudar os mais necessitados.

Durante toda a sua vida, Catarina teve diversos momentos com Maria de Nazaré e com Jesus... Em um desses momentos ela viu Maria conversando com ela e entregando Jesus ainda menino em seus braços. Como descrever um momento tão sublime assim?

Filme que ilustra a vida

Catarina de Siena

Áudio em italiano – legendas em espanhol

Este filme mostra vida da Catarina ressaltando o bem que ela fez diante das guerras e motins da época.